terça-feira, junho 08, 2021

 "Empurrão da Vida"



Deu um passo e lançou-se no abismo cumprindo o que vinha ameaçando há quase duas horas. O seu corpo tombava e era a imagem do desistir da vida, e de lutar por ela, nos poucos segundos que restavam até atingir a superfície das água do Rio Douro. Voava imóvel até à morte.

Raul olhava sem reacção e seus olhos enchiam-se cada vez mais de lágrimas a cada segundo que observava impotente ao voo para morte daquele que ele durante quase duas horas tentava demover. Selma era o nome daquela que ele não conseguiu salvar.

Foi a primeira vez que ele falhou desde que assumiu a função de negociador com suicidas na corporação de bombeiros. De todas as outras 6 vezes em que foi chamado a intervir tinha conseguido salvar 6 vidas. Apesar de toda a dor, tristeza e tensão que uma situação daquelas envolve, ele saiu delas com o sentimento de dever cumprido, e com o conforto que salvar uma vida ou adiar uma morte nos pode dar.

Mas aquele momento era de derrota. Ele, que tinha o dom da palavra e da argumentação, refugiou-se no silêncio dos seus pensamentos e seguiu para casa.

Passou a noite em claro, tentando perceber onde falhara. Vezes sem conta recordava as duas horas que conversou com Selma antes de esta o deixar sem reacção no tabuleiro da Ponte D. Luís.

E foi à ponte que regressou poucas horas depois. Queria perceber, entender, em que falhou. Sentia-se culpado pela vida perdida. Como se tivesse culpa dos motivos que levaram aquela jovem a suicidar-se.

Ainda era de madrugada, o céu começava a clarear e Raul procurou colocar-se no lugar e na cabeça de Selma. Cada vez mais aquele acontecimento o atormentava e turvava a clarividência. Raul não estava a lidar bem com tudo aquilo...sentia-se culpado.

Subiu o muro da ponte no exacto local onde Selma subira. Olhou para baixo como tentando ainda que algo lhe dissesse que tudo não tinha passado de um sonho. Mas a imagem que ainda guardava era bem real.

Deu um passo e lançou-se no abismo que segundos depois o levaria a encontrar a superfície das frias águas do Rio Douro.

O seu nome era Raul.

Texto: SSR

sábado, junho 29, 2013

Djavan - 03. Triste é o cara [Rua dos Amores (2012)]



"Triste é o cara
Que só sabe o que é bom,
Que não sai do leblon,
Que nunca ficou à toa.
Triste é o cara
Que não sabe perder,
Que não sai de você,
Que nunca se superou."

quinta-feira, abril 18, 2013


 
 
 
Entre o céu e a terra…
Há um salão deslizante
Onde casais planam…
Num futuro distante
 
Deambulam pelas nuvens
Dançam com o amor
Olhos que não vêm a tristeza
Corações que não sentem a dor
 

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Tal como os vampiros estão condenados a uma existência errante e infinita, também os Sanguessugas parecem condenados a um não lugar emocional..engraçado, somos tão bons a sonhar, mas tão maus a viver um sonho

 
 
Eles pagaram uma rodada ao marinheiro
e escutaram a sua história
passada num mundo tão distante
e uma música que nunca tinham ouvido
uma música sobre um passarinho
que se apaixonou por uma baleia
ela disse "tu não podes viver no oceano"
e ele disse-lhe
"tu nunca podes viver no céu"
mas o oceano está cheio de lágrimas
e o céu torna-se um espelho
está uma baleia na lua quando o céu está limpo
e um passarinho na maré
"por favor não chores
deixa-me enxugar os teus olhos
então diz-me que vais esperar por mim
segura-me nos teus braços
eu prometo que nunca nos vamos separar
eu nunca voltarei a navegar para aquele tempo
mas vou sempre fingir que és minha
eu sei que temos que nos separar
podes viver no meu coração"
 
 
para bibi
 

 
 

terça-feira, janeiro 08, 2013

Gente fora do lugar




"Você é Engenheiro?", perguntou-me o vigilante do parque de estacionamento onde normalmente deixo o carro, junto da obra. Não foi difícil para ele acertar, estando eu com o capacete branco na mão, vindo da obra e dirigindo-me para o carro para ali aguardar pelo final da hora de almoço, na sombra e sentado.

"Conhece a empresa...?", atirou ele depois de eu lhe confirmar o óbvio.

"Não, não conheço. Na verdade, eu sou português e estou há pouco tempo no Brasil", respondi-lhe com aquele medo de que não me entendesse.

"É mesmo? Meus antepassados são de Portugal. De onde você é?". Expliquei-lhe que era de Espinho, uma pequena cidade próxima do Porto. "Ah! Porto. Minhas origens são de Coimbra. De vez em quando eu oiço fado. Fado, essa palavra que significa destino".

Alexandre é de estatura média e tem pele escurecida pelo sol e não deve ter mais de 40 anos. Os seus bisavós eram de Coimbra. Perguntei-lhe se ele os conheceu.

"Sim, foi até o meu bisavô quem me ensinou o que era o Fado", contou-me.

E continuou: "Eu gosto de saber a minha origem, de onde vim e quem sou. Por exemplo, a origem do meu nome. Alexandre significa 'defensor dos homens, ou da humanidade' e também 'líder de homens'".

Sem se deter, e sem que eu conseguisse que abrandasse, ele vai disparando: "fui assim desde pequeno, sempre querendo saber mais de tudo. Como era diferente, neste aspecto, de todos os da minha idade, eu era visto como um doido". E aproveita para me explicar a origem da palavra doido. "Na verdade, ela está associada à ingenuidade", começa por me dizer, para depois me revelar que a origem vem do nome de uma ave, a 'Dodó', natural das Ilhas Maurícias, ilhas onde os primeiros a chegar foram os portugueses. "Essas aves, como não estavam habituadas à presença de caçadores e predadores, eram facilmente aniquiladas. Por isso os portugueses sempre se referiam aos ingénuos e que parecem ser fora do normal, como sendo 'dodós', originando os 'doidos'".

"A vida foi-me levando...", disse-me ele.

Um professor, apercebendo-se da 'diferença' do Alexandre, resolve fazer-lhe um teste de QI. "Cento e quarenta e cinco, eu tive no teste", conta o meu homónimo (sim, eu também sou Alexandre, como ele, defensor da humanidade), "o normal seria ter 100". Depois, mais uma revelação: "desde pequeno que aprendi a falar russo", e fala um pouco para mim interrompendo para mais uma achega: "Sabia que o russo é muito semelhante ao português?", e disparou meia dúzia de palavras em português e a sua tradução em russo.

Convenceu-me. Aprendeu a língua com um músico russo seu vizinho e que lhe dava aulas de Violino. "Durante as aulas, o professor xingava-me em russo e eu queria entender o que ele dizia". Foi assim que ele aprendeu.

"Violino, Alexandre? Mas você tocou, ainda toca?", perguntei, sinceramente interessado.

"Agora toco violoncelo, gosto mais do som. Mas toco só de vez em quando. Quando tocava violino, e era mais jovem, cheguei a pedir um visto na embaixada da Rússia para ir estudar violino para o 'Pequeno Bolshoi' em Moscovo. Mas foi na altura dos momentos conturbados na Rússia, com o fim da Perestroika e do Gorbatchev".

"É...a vida foi-me levando...", repetiu.

Voltei para a obra, pensando na conversa, no que aprendi e do quanto deslocado me pareceu o Alexandre naquele lugar. Regressei mais tarde para retirar o carro. Fui ter com ele, fiz o pagamento e ele perguntou-me:

"Se eu lhe pedisse um Conselho, qual você daria?"

"Um conselho? Sobre que assunto?", respondi, perguntando.

"Com a sua experiência, da sua vida, e pelo que conheceu hoje de mim, me dê um conselho qualquer, um que ache apropriado", desafiou-me. Sim, senti a pergunta como um desafio. Aceitei-o:

"Alexandre, tente levar você a vida para que não seja sempre ela a lhe levar, para que você um dia se sinta no lugar que quer, que julga merecer e lhe faça sentido. Para que não seja sempre a vida a lhe levar", atirei com uma convicção que eu próprio estranhei, mas que senti ter sido do agrado e de ter estado à altura daquele que me desafiou.

Despediu-se de mim dizendo para eu ter paciência, "porque alguns brasileiros não têm uma boa imagem dos portugueses". "É uma questão de educação, e aqui falta muita!", rematou, sem me ouvir dizer que esse tipo de educação falta em todos os países, inclusive no meu.

É, existe gente fora do lugar. O Alexandre está, claramente, fora do lugar.


(História Real)
Texto e Foto: Sérgio Sanguessuga Rocha

domingo, julho 01, 2012

Acto III

David partilha as suas últimas palavras com Verónica e encontra paz no seu coração




Mais uma noite



"Passei demasiado tempo a defender o meu passado

Não encontro força na verdade, quando tudo está acabado

Nunca disse que era um herói, apenas sou um inadaptado.


Durante toda a provação de ser acusado

A minha defesa substituiu o amor que eu havia amado

Simplesmente não me deixaram sentir saudade.


Mas eu passaria por tudo outra vez

Eu percorreria a aridez…   se isso me desse a oportunidade, de matar a saudade, de ter-te nos meus braços e guardar-te nos meus sonhos.


É duro ter-te deixado partir!

Posso estar sozinho mas vou sempre sentir…    que nunca desapareceste, enquanto eu segurar as memórias, que construímos quando estávamos a namorar.


Eu acreditaria na mentira só para sentir a tua saliva

Sei que tentar esquecer-te manteve-te cativa

Nunca quis estar certo, apenas queria ver-te viva.


Então leva a minha visão  – ela é o vento no meu deserto!

Leva o meu toque -  eu sei que ela está perto…    nas canções dos pássaros, traduzidas em palavras, eu lembro o sabor dela no sol que escurece a minha pele

Então despe-me de mim – eu não quero ser real!

Eu quero flutuar através desta paz celestial…     as memórias ficam, como uma semente à chuva, eu vou acarinhar o nosso amor, e revivê-lo depois da curva, ela está viva na minha mente por isso vivo lá constantemente a lembrar o nosso amor!"


“Palavras à parte, David sabes que continuo a amar-te

Quero que cresças, mas nunca me esqueças

Serei uma semente no teu coração, estarei junto a ti durante a depressão

A tua vida brotará como uma flor, e cada pétala aliviará a minha dor, e as cores vão resplandecer só pra te dizer que amei-te de forma desesperada,
agora posso ir descansada…”


"Senti o teu cabelo no meu peito, assim que a tua morte encontrou um leito
Está tudo ligado à rotação, do mundo onde escrevo esta canção
Talvez nunca me despeça de ti
Continue a fingir que ainda hoje te vi
Mas eu não podia continuar a viver
Num mundo que não consigo compreender
Sabes, se fosse possível, eu tornar-me-ia invisível

Escondia as minhas cicatrizes, relembrava tempos felizes
Observei aquele sol a desaparecer, e no horizonte voltar a aparecer
E nessa graça permanente, vejo a tua cara reluzente
Agora que já te vi a morrer, posso finalmente dizer
Que se estivesses aqui presente, amar-te-ia como antigamente
Já aconteceu tudo antes, e vai voltar tudo a acontecer
Quando te apercebes que o fim é o mesmo sítio que te viu nascer
Cheguei ao fim do meu discurso, estou farto de representar este papel
Eu não quero ter razão, só quero mais uma noite
Eu não quero ter razão, só quero mais uma noite
Eu não quero ter razão, só quero mais uma noite"


terça-feira, maio 29, 2012

Acto II

David perde Verónica, e depois a si mesmo, sucumbindo à culpa e ao desespero



Lembra o meu nome


Não houve aventura mais desafortunada

do que aquela que através de David nos foi mostrada

A sua fuga de uma vida carregada de dor

para abraçar a condenação do amor


Mais vale o amor esconder

do que vê-lo morrer

Mais vale estar só

do que ver o teu coração tornar-se pó


Não devia a alma de um homem são

erguer-se acima destes vorazes desígnios do amor

Mais vale ter nascido cego do que ver e perder a visão

Mais vale paz num futuro desolador

do que lutar com a tua recordação


“Então leva o meu coração contigo para a cova

Apenas bombeia sangue gelado para as minhas veias

Eu perdi tudo no cruel jogo do destino

Apenas o diabo lembra o meu nome”


Apenas um coração tolo pelo destino se deixa levar

pelas voltas e trocas que nos obriga a aguentar

O único amor que não vai morrer

é o amor a que tu nunca vais corresponder


Como uma faca que perfura

A perda é sentimento que perdura

A dor dura uma eternidade

O amor é uma cruel enfermidade


Como um pavio que segura a chama

O caminho que te levou até ela causou o incêndio

O fósforo que tinhas é o culpado

Os caminhos do amor e da morte estavam lado a lado


Agora que amaste e perdeste

Reembolsarias um custo como este? Um preço tão elevado,

Ela estaria aqui se nunca a tivesses amado


“Então leva o meu coração contigo para a cova

Ele apenas bombeia sangue gelado para as minhas veias

Eu perdi tudo no cruel jogo do destino

Apenas o diabo lembra o meu nome”

quinta-feira, maio 17, 2012

Acto I

amor, depois a tragédia abate-se sobre a cidade




Rainha de Copas


O sol nasce acima da fábrica, mas os raios não iluminam a rua
Pelos portões passam os empregados, abatidos por uma vivência crua
Um grupo de comunas distribui panfletos aos trabalhadores a entrar
Para duas pessoas naquele pavimento, a vida iria mudar
Quando ela colocou-o na sua mão, todos devem ter visto as sensações
Nenhum deles entende o que aconteceu aos seus corações

“Outra manhã neste sítio desviou-me do meu objetivo
Vejo que a vida é um desperdício enquanto a chaminé liberta um fumo evasivo
Mas uma coisa em tudo isto é que nada vai mudar
Parece que o nosso progresso emperrou e cada dia perde o paladar
Ela colocou-o na minha mão. Os meus colegas viram a sensação
Eu não conseguia entender o que havia acontecido ao meu coração.
Olá o meu nome é David, o teu nome é Verónica.
Vamos ficar juntos, vamos apaixonar-nos
Olá o meu nome é David, o teu nome é Verónica
Vamos ficar juntos, até que as estrelas desapareçam
E tudo o que precisamos é de alguma coisa para dar
A barragem rebentou, de repente estamos a respirar
Sem o nó na garganta, a vida está a retornar
Sem o nó na garganta, vamo-nos emocionar”

“A aurora nasce nesta cidade e para mim nasce um novo amanhecer
Não suportava o sofrimento dos desfavorecidos, tentava sorrir com os dentes a ranger
Agora temos que nos unir e libertar-nos das algemas da derrota
Unidos venceremos, eles ouvirão o nosso grito de revolta
Coloquei-o na sua mão, os camaradas viram a sensação
Eu não conseguia perceber o que havia acontecido ao meu coração
Olá o teu nome é David, eu sou a Verónica
Vamos ficar juntos até que a água nos engula
Olá deves ser o David, eu sou a Verónica
Vamos ficar juntos, até que estejamos todos finalmente esmagados”

“E tudo o que precisamos é de alguma coisa para dar
A barragem rebentou, de repente estamos a respirar
Sem o nó na garganta, a vida está retornar
Sem o nó na garganta, vamo-nos emocionar!”


segunda-feira, janeiro 10, 2011





Um Passo em Frente

Acordei esta manhã, a casa estava fria

O aquecedor estava avariado.

Fui ao pátio buscar o jornal do dia,

Mas o jornaleiro estava atrasado.

Duras lições aprendemos diariamente,

Mas não aprendemos, somos…

Uma triste história certamente.

Um passarinho poisa na varanda da cozinha,

Mas não quer cantar.

No jardim uma menina dança sozinha,

Mas o sol não quer brilhar.

Estou só esta noite num hotel

E tudo em que penso é…

Sou a mesma velha história, no mesmo velho papel.

Todas as noites é a mesma discussão,

Quem não tem, quem tem razão.

Outra luta e o espírito desespera,

Outra batalha na nossa pequena guerra.

Quando olho para mim não consigo ver,

O homem que eu queria ser.

Algures no percurso desviei-me demais,

Apanhado…

A dar um passo em frente e dois atrás.

Uma mulher no balcão pede uma bebida,

Eu capto o sinal que ela me enviou.

Humm… não parece muito divertida.

Eu, enfim, finjo que estou.

Esta noite sonhei que estavas nos meus braços,

A música era interminável,

Dançámos sob um céu que escurecia em tom lilás

Um passo em frente e dois atrás.



Puzzle

Para trás e para a frente, eu danço com o vento

A resolução escapa-se mais uma vez

Através dos meus dedos, de volta para o meu coração

Onde está fora do alcance e mergulhada na escuridão

Às vezes penso que estou cego

Ou posso apenas estar paralisado

Porque a história complica-se a cada dia que passa

E as peças do meu puzzle continuam a desintegrar-se

Mas eu sei, há uma imagem escondida

A indecisão obscura a minha visão

Ninguém ouve…

Porque estou algures entre

O meu amor e a minha agonia

Prostrado com a cara no chão

Os meus dedos enfiados nas orelhas para bloquear o som

Os meus olhos cerrados para evitar a visão

Antecipando o fim, desistindo da luta

Gotas de sim e não

Num oceano de talvez

Do fundo parece uma subida inclinada

Do topo parece mais uma queda anunciada

Mas eu sei, o equilíbrio está lá!

sábado, janeiro 08, 2011

Eu tenho id
Os meus lábios tremem, as unhas estão roídas…

Passou um mês desde que me ouvi falar…

Toda a vantagem que esta vida leva sobre mim…

Qual copo vazio no meio de um oceano…


E eu contra-ataco a minha mente!

Nunca me deixa estar em paz!

Eu tenho memórias, tenho merdas!

Tanta coisa que não está à vista…

Oh… eu, caminhei erguido, quando me seguraste naquela noite.

Eu, caminhei erguido, quando me deste a mão naquela noite.


Todas as conchas vazias parecem ser tão fáceis de quebrar…

Há tantas questões, nem sei a quem as poderia perguntar…

Então vou ficando sozinho e espero pelo sonho…

Onde eu não sou feio e tu estás a olhar para mim…


E repousarei numa cama,

Todo triste, eu vi o inferno!

Se apenas por uma vez me pudesse sentir amado!

Oh volta-te e olha para mim… Mas eu,


Caminhei erguido, quando me seguraste naquela noite.

Eu, caminhei erguido, quando me deste a mão naquela noite.

Oh… eu, caminhei erguido, quando me aconchegaste naquela noite e eu,

Paguei o preço, nunca te abracei na vida real…


Os meus lábios tremem…

quarta-feira, outubro 20, 2010





Lista de Desejos

Quem dera que eu fosse uma bomba de neutrões, por uma vez pudesse explodir
Quem dera que eu fosse um sacrifício, mas de alguma forma sobrevivesse
Quem dera que eu fosse um ornamento sentimental que tu guardas carinhosamente
Na árvore de natal, quem dera que eu fosse a estrela que está no topo

Quem dera que eu fosse a prova, quem dera que eu fosse a razão
Para 50 milhões de mãos estarem erguidas e abertas em direcção ao céu

Quem dera que eu fosse um marinheiro com alguém esperando por mim
Quem dera que eu fosse tão sortudo, tão sortudo como eu
Quem dera que eu fosse um mensageiro e todas as notícias fossem boas
Quem dera que eu fosse a lua cheia reflectida nas águas do Areeinho

Quem dera que eu fosse um extraterrestre em casa por detrás do sol
Quem dera que eu fosse a lembrança onde pões a chave de casa
Quem dera que eu fosse o pedal do travão que te salva a vida
Quem dera que eu fosse o verbo confiar e nunca te deixar ficar mal

Quem dera que eu fosse uma canção na rádio, aquela que tu nunca mudas
Quem dera, quem dera, acho que nunca mais tem…
Fim



Desempregabilidade

Ele tem um grande anel dourado onde está escrito “Jesus salva”
E está amolgado por causa do murro dado no trabalho naquele dia
Quando ele rebentou o cacifo metálico onde guardava as suas coisas
Depois do patrão lhe ter dito “é melhor pores-te a andar”

Sim, então esta vida é sacrifício
Sim, fazer das tripas coração apenas para sobreviver




Bom, a sua mulher e filho dormem mas ele está acordado
No seu cérebro paira a maldição de 30 contas por pagar
Levanta-se, acende um cigarro, o ódio cresce nele
Pensando “se não consigo dormir, como vou voltar a sonhar?”

Sim, esta vida é sacrificada
Pelos desígnios de um qualquer estranho


Eu vi a luz
Eu estou assustado vivo
Aqui para morrer
Vivo assustado

terça-feira, setembro 15, 2009

Lift me Up Moby Live @ Porto

Fantástico o concerto que Moby deu no Parque da Cidade do Porto no passado sábado, dia 12 de Setembro de 2009.

Em boa hora me decidi a marcar presença. No inicio do tema, Moby pede desculpa pelos 8 anos de governação de Bush que colocou o mundo contra os USA.

Espero que perdoem o ruído...é que pular e filmar ao mesmo tempo não dá mesmo bom resultado.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Música de Moçambique (2)

País do Marrabenta, dança e género músical tradicional de Moçambique e que se pode ver nas discos e bares de Maputo.

"Dança Moçambicana Marrabenta"

Música de Moçambique (1):

Vou colocar aqui alguns temas da música que se faz em Moçambique... Começo com um rap de Gprofam, que revela um pouco das imagens e da realidade do país onde nasci.

Autor: Gprofam
Título: País da Marrabenta

domingo, abril 05, 2009

Deloused in the Comatorium 3 - Roulette Dares (This is the Haunt of)

3 - Roulette Dares (This is the Haunt of)

Transient jet lag ecto mimed bison
This is the haunt of roulette dares
Ruse of metacarpi
Caveat emptor... to all that enter here

Open wrist talks back again
In the wounded of its skin
They'll pinprick the witness
In ritual contrition
The a.m. trinity fell upon asphyxia-derailed
In the rattles of...
Made its way through the tracks
Of a snail slouching whisper
A half mast commute through umbilical blisters
Spectre will lurk
Radar has gathered
Midnight nooses from boxcar cadavers

Exoskeletal junction at the railroad delayed
Exoskeletal junction at the railroad delayed

It's because this is...
Cranial bleeding
Leeches train the living
Cursed are they who speak its name
Ruse of metacarpi
Caveat emptor to all that enter here

Exoskeletal junction at the railroad delayed
Exoskeletal junction at the railroad delayed

It's because this is
Rattling the laughter
Hinges splintering inside
Bludgeoned to a saddle
Rang the cloister bell inside
inside
inside

exoskeletal junction at the railroad delayed
exoskeletal junction at the railroad delayed

it's because this is...

2.

Agora os obstáculos, definhando em tamanho e forma. Pareciam atirar-se ao seu corpo, inseminando uma desorientação passivo - agressiva que iluminava o seu cabelo a partir da raiz enterrada. Mala suerte que o reduziu a um estado de beligerância incoerente. A fim de não se adicionarem aos demónios que percorriam os canais do seu nervo óptico, as pessoas mudavam de passeio quando o viam hipnotizado. A sua língua tornara-se um cacho de dobradiças incapaz de terminar frases. No entanto, podíamos ouvi-lo cantar no seu sono, “con cada cuerpo que estranes mas, este varco se olvido como a nadar”. Ele havia sido salvo noutras ocasiões, mas esta iria arrasar a edificação que tinha construído a partir do seu interior. Inconvencional e inegável. Um megafone Trémulo chama…

Muitas eras se sucederam até que a assembleia do Metacarpo Trémulo decidisse eleger um novo líder, e quem melhor do que o acima mencionado neo infiel conhecido por Cerpin Taxt, provavelmente a mais solitária caricatura de homem que nós, os Trémulos, alguma vez vimos. Através de uma febre imensa, escolhemos os excertos irradiados da biblioteca das meias verdades. Um livro de impacto suspenso. Um manual que ensinava sedução através da arte do suicídio. Um vazio de ultimatos crassos, sem capítulos, adoptando arbitrariamente a colheita de sangue das conversões humanas. Cada página enrolava-se à volta de Cerpin, penetrando-o, violando-o…Pois foi pela sua mão que fomos condenados a viver congelados em imagens doentes num papel cor de osso; Pelo ritual artístico que lhe gerou os seus únicos filhos. No entanto este trapeiro nada sabia dos seus descendentes, aqueles que havia abandonado numa constipação sub – aquática. Portanto tudo começou com um duro carinho de amor vindo da Nevralgia de Cerpin, que o convocou através de um mandato de captura escarrapachado na tela da sua face…de modo a administrar-lhe um despacho de admissão temperado com morfina. Os portões de Thanos estavam agora abertos, como as asas de uma águia em voo picado.

Eu pintei o meu corpo com o negro das minhas próprias cinzas. Não vejo o interruptor quando as luzes são desligadas, desde os seus canais de cortes no pulso. Não sinto o meu caminho para lá do óbvio…há que tratar bem o pescoço…adorná-lo com uma perfuração…Eles imaginaram-me espancado e desfigurado, estendido numa passadeira de prazos esgotados. Eles chamam-me:

“Tu foste trazido até aqui pelas tuas próprias artimanhas. Aí permaneces ensopado em culpa, uma sentença que não podes negar. No mundo exterior encontrarás um destino bipolar. Aqui serás banido pelo crime de tentativa. Embarca neste veículo oculto, serás levado a fim de servires a tua pena”, falou a suave voz infantil, o estratega deste purgatório. Os eternos leprosos cantavam num ritual de auto martírio, acompanhados pelo fender de velas de vidro: “Os túneis vão-te mostrar um percurso de fuga arrependida”, choravam, “no qual atingirás um tal medo que reflecte uma visão que está mais próxima do que aquilo que parece”, continuavam os leprosos, “no teu sono encontrarás a derradeira mentira…a insignificância de outros…”

E esta era a sua sentença. Uma receita não preenchida foi deixada na minha mão. Afinal o que é que eu tinha feito? Não me conseguia lembrar. Para onde ia? Os leprosos haviam falado e por toda a assembleia os olhares condenavam-me. Eles prepararam o veículo no qual eu iria viajar. Encheram-no de amebas que iriam activar o sistema de piloto automático, prenderam-me um cinto de aracnídeos que formigavam o meu rosto e penetravam na minha boca. Assim que as aranhas amarraram o meu corpo comecei a sentir o sangue dos meus olhos. Senti o meu equilíbrio trocar de lugar com os meus pulmões. Os meus pés tornaram-se chão, as minhas costas romperam-se em lábios de latitude, batendo asas que dariam início ao processo efémero de me converter numa larva em hibernação impelida a jacto. Eu torci-me, vomitando uma sensação de rigidez cadavérica, e depois aconteceu. Uma torrente de lama espessa e florescente disparou com toda a força e afundou-me através da dimensão do espaço e do tempo. Os leprosos haviam sido bem sucedidos na sua tarefa de castigar as minhas acções de instabilidade. As suas canções de excomunhão chegavam até mim através de uma sonda de infravermelhos. Atirado para o pesadelo dentro do meu cérebro impuro. Foi a tentativa que caiu vitima destas algemas neste voo infinito. “Impeso en la sala de tivrones, un pais escrito com el noche”. A minha primeira tentativa vai-me inutilizar e deixar-me às portas da atrofia, estas son las viages antes que me fui…” – Cerpin Taxt


de loused in the comatorium storybook 2ª parte

Deloused in the Comatorium 1 - Son et Lumiere ; 2 - Inertiatic ESP

1 - Son et Lumiere

Clipside of the pinkeye flight
I'm not the percent you think survives
I need sanctuary in the pages of this book
Gestating with all the other rats
Nurse said that my skin will need a graft
I am of pockmarked shapes
The vermin you need to loathe


2 - Inertiatic ESP (inc.)

Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.

Last night I heard lepers,
Flinch like birth defects,
It's musk was fecal in origin,
As the words dribbled off of its chin,

It said,
I'm lost,
I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.

Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.

Dolls wreck the minced meat of pupils,
Cast in oblong arms length,
The hooks had been picking their scabs,
Where wolves hide in the company of men.

It said,
I'm lost,
I'm lost.

Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.

Are you peeking in the red?
Perforated at the neck,

What of this mongrel architect,
A broken arm of soon will set,
Past present and future tense,
Clipside of the pinkeye fountain.
What of this mongrel architect,
A broken arm of soon will set,
Past present and future tense,
Clipside of the pinkeye fountain.

Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.

It's been said,
Long time ago,
You'll be the first and last to know,
You'll never know,
You'll never know,
You'll never...