sexta-feira, outubro 19, 2007

Torneio de Poker para bloggers na PokerStars: RESULTADO

Conforme prometido, fica aqui o resultado da minha participação no Campeonato do Mundo de Bloggers em Poker jogado Online e organizado pela PokerStars.

Entre 1337 participantes de todo o mundo, quedei-me pela 368.ª posição o que, não sendo um mau resultado para quem é um 'begginer', poderia ter sido melhor caso a prova fosse num outro dia e horário que não um domingo, às 20H00.

Curiosamente, a prova foi ganha por um português!



De qualquer forma, apesar de não pretender que este blog seja invadido por assuntos relativos ao Poker, este evento acabou por servir para partilhar convosco o meu entusiasmo por este jogo.

Um dia poderei explicar aqui mais detalhes sobre este jogo que, contrariamente ao que possam pensar, pode ser jogado de forma lúdica e que, organizado em Torneios, poderá ser equiparado a outros desportos, como o Xadrez, pois apresenta uma forte componente de perspicácia.

Para que entendam, para eu poder participar neste Campeonato do Mundo de Poker Online, apenas precisei de fazer prova de que administrava um Blog. Não gastei, nem os restantes jogadores, dinheiro nenhum e foram atribuidos 40 mil dólares em prémios distribuidos pelos 81 melhores classificados.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Torneio de Poker para bloggers na PokerStars

Online Poker

I have registered to play in the PokerStars World Blogger Championship of Online Poker!

This Online Poker Tournament is a No Limit Texas Holdem event exclusive to Bloggers.

Registration code: 7318733



Pois é! Ando fascinado pelo Poker e inscrevi-me neste torneio online. Para validar a minha inscrição tive que postar aqui este texto. Depois darei notícias do resultado.

domingo, setembro 02, 2007

Estou nestes precisos momentos a experienciar um serão vespertino no meio de uma pequena localidade e no seio de uma pequena comunidade chamada paços de brandão...ah! começou. já tenho a tatiana, sorry, a frida mesmo à minha frente. elas estão literlmente estacionadas, num invulgar exercício de paciência e resistência chamado "fazer de estátua"..neste momento a senhora do bar agracia as meninas-estátua com uma moeda ...a torrie agradece retirando uma fitinha do chapéu e mostrando uma lâmpada fixada na cabeça..a maria joão é uma autêntico repositório de rebuçados, daqueles flocos de neve..a tatiana agradece, mas não dá nada a ninguém..acabei de o comprovar..vou agora dar uma à torrie e ver o que está na fita...instrucções para construir um cinto onde colocar as chaves de fendas(ideia luminosa).estes artistas..a tatiana está mesmo bonita e parecida com a khalo..toda a gente está especada à frente das meninas-estátua, num misto de marasmo intelectual com um certo reconhecimento pelo trabalho delas..após esperar que as crianças bazassem, atirei uma moeda ao cesto da menina dos rebuçados: vira-se um gajo: queres rebuçado? és tão grande! (naquele sotaque que vocês imaginam...) ela dá-me um..o mesmo gajo: chupa, chupa! Estão cada vez mais pessoas à nossa beira. a tatiana não se pintou nem se vestiu com grande aparato. provavelmente a sua cesta não será das mais cheias. dei há pouco uma volta e vi estátuas completamente surreais. ela tem um vestido comprido, no qual coexistem o azul, uma forma de esverdeado e o branco, patente também no xaile. pintou os lábios, uniu à volta da cabeça duas tranças que a dona zeza lhe fez ainda em casa. a torrie mergulhou num banho dourado e tornou-se uma habitante de oz.. a menina dos flocos de neve está coberta por um plástico onde gravitam dezenas de rebuçadinhos vermelhos.. já agora, tenho net por cortesia de "entre douro e vouga"... dei mais uma volta. há um pessoal-estátua com os mais variados "distúrbios de personalidade": desde as meninas-anjo, o prisioneiro com a cara escurecida por uma cela de carvão, a mulher motociclista que dá a volta a um pequeno mundo colocado na relva, alguém que perdeu a cabeça, um sublime violinista, o selvagem que emite gritos de guerra...já falei com a tatiana, isto agora está mais calmo. como é uma comunidade pequena, as visitas repetem-se e o espaço não é assim tão extenso..mas o local onde me encontro traz vantagens, em termos de contacto com o público, as quais não estão ao alcance de outras estátuas que estão mais afastadas da zona pedonal, demasiado embrenhadas na relva e assim não tão acessiveis..não sei, apenas tive essa impressão. a bateria está a ir à vida...

domingo, agosto 26, 2007

Painel. Ajuda. Terminar Sessão.

nos vagões suportados por escravos sem côr,
é cinzenta, pesada e finita a travessia
dos abraços e beijos temperados pela essência de uma flôr.

duras encostas como porto de atracagem
breves momentos para reflectir...
pensar que o amanhã pode trazer algo que só podemos imaginar,
imaginar e desejar e sonhar.

"o sonho comanda a vida", a fantasia aguça-lhe o propósito,
o delírio abre portas e janelas para mundos oníricos
onde anjos e demónios cantam duetos onde o escárnio
e o maldizer mesclam com os deveres líricos
de quem observa, aprende, julga e acusa...onde os acusados não são defendidos..
nem se podem defender...o mais provável é que alguém os mande foder,
e aí o sonho não é molhado, porque os acusados preferem foder outras pessoas
(em detrimento deles próprios),
mas assemelha-se a um pesadelo, no qual coexistem o sonho,
a fantasia, o delírio, a demência...
traídos pela divina providência..
abandonados ao caos e à violência
que grassam pelos campos da efémera sobrevivência
nos quais o doutor, o paciente e a paciência
esperam por uma plenária indulgência
que os livre dos vagões, da escravidão e da falta de pigmentação
e lhes dê asas, frutos e talvez alguma coerência
e imaginação...

Porquê o cansaço?
(muitos tentaram e conseguiram, mas nem todos pensaram nisso,
o que é uma pena e um desperdício)


baltazar gomes

sexta-feira, maio 25, 2007

III

Lembram-se do Slash, dos Guns...? Bom, além de grande guitarrista, o homem era também um grande alcoólico. Certa noite, o manager da banda recebe uma chamada da recepção do hotel onde pernoitavam alertando a comitiva para socorrerem um Slash desmaiado no passeio em frente ao edifício. Sem ritmo cardíaco, parecia que estava morto. Felizmente, os paramédicos reanimaram-no com uma injecção de adrenalina no coração, e, toca a rock n´ rollar! Isto é que é correr a toda a velocidade e embater numa parede invisível.

Foi este o "slide" que o meu cérebro disparou no momento em que estava a assistir ao desfalecimento parcial do...não sei o seu nome, mas vou chamá-lo António. Ora o António era um dos muitos participantes das Festas do Monte que animam La Guardia durante parte do mês de Agosto. Correrias pelas ruas, entrar e sair de tascos e cafés, garrafas em riste, manchas de vinho nos farrapos que ainda resistiam colados aos corpos suados da juventude galega...e tudo ao som de: BUM!! BUM!! BUM!!


Quem não tinha um copo ou uma garrafa na mão estava munido da zabumba, o tambor oficial destas festividades...Engraçado, penso que foi a primeira vez que acampei sem ouvir o constante barulho das batidas em djembes..Gostei, no entanto não deixa de ser irónico, tendo em conta o que fui encontrar na cidade. Pessoalmente, apenas gostava de voltar a ter a companhia dos djembes quando for visitar o oeste africano...
Mas de música estávamos bem servidos. Já referi a guitarra do Domingos e a interpretação cristalina servida pela Irena. O artista seguinte metralhava palavras a um ritmo alucinante, havia sempre algo a dizer, uns versos a rimar...O Filipe era, talvez, o único que o acompanhava, não a cantar, mas a consumir cigarros...O James terá sido o companheiro que mais intensamente viveu a aventura no menor espaço de tempo. O moço demorou uma eternidade a revelar-se, mas depois..."Tiro o carro, meto o carro...garagem da frente, de trás..." Adorava Quim Barreiros, a sua grande referência em momentos de êxtase. Era também o único a chamar a atenção dos nossos olhares para os variados pontos de interesse relacionados com a anatomia feminina. Enfim, ele não mais parou e temo bem que aqueles dias o tenham marcado e colocado a fasquia demasiado elevada no que diz respeito a um tempo bem passado. Espero que tenha tido momentos ainda melhores lá por Braga, onde era recém-chegado, ou em qualquer outro lugar. Depois corrijam-me, mas fiquei com a impressão de que não bebia nem fumava. Já passaram meses..nunca mais o vi...
Dos artistas da música para os da cozinha.
Mais um arroz confeccionado pelo chef Castelão, mas desta vez eu fiquei com vontade de lavar o estômago, não pelo arroz mas... Passo a explicar: O Tomás, em mais um rasgo de genialidade, surpreende-nos com algo, qual Sport Billy, retirado de uma das suas sacas - Uma bela garrafa de um líquido semelhante ao Gold Strike. Ora como sabem os copos de plástico eram também os nossos pratos. À genialidade do Tomás contrapus a minha genial estupidez e resolvi deixar um restinho da bebida à espera do arroz, confiante que tal mistura me aguçaria as papilas gustativas a um ponto de sublime clílmax alimentar...Erro. Aquela papa só foi para a minha pança porque a fome era já muita...


Hora de ir visitar a cidade. Ao chegar ao centro, deparámo-nos com um ambiente similar áquele provocado pela paranóia colectiva de Pamplona, mas sem os touros. Fiquei com a sensação de que as pessoas moviam-se com maior rapidez e de forma errática, ao contrário da compostura típica a sul do rio Minho. Decidimos seguir as gentes e notámos um progressivo afunilamento coincidente com o crescer sonoro das batidas nas zabumbas. As pessoas que nós seguimos pararam para se adicionarem à parede humana que formava a guarda de honra dos foliões zabumbeiros que preenchiam não uma praça ou avenida, mas uma ruazinha secundária, com pouca largura, situada na face lateral de uma igreja. Entre aquela gente de lenços ao pescoço, t-shirts alusivas às festas, calções, troncos nús, etc., estava o "António", que se destacava pela envergadura e visual selvagem. Dava também a sensação de querer bater no tambor até este estourar, no entanto a zabumba virou-se contra o zabumbeiro e seria o António a estourar, à frente dos nossos olhos, os quais ficaram, por momentos, apreensivos. Ele caiu a 4,5 metros de mim, com o tambor em cima da barriga e a baqueta na sua mão. Rapidamente nos apercebemos que não era nada de grave, porque nenhum dos seus companheiros esboçou qualquer reacção. Mesmo assim, resolvi aproximar-me, não só para ter a certeza que aquilo era apenas um "post orgasmic chill", mas sobretudo para retomar a tarefa de bater naquele tambor como se não houvesse amanhã. Aprocheguei-me, os seus olhos estavam cerrados, a minha mão direita fez um vôo picado em direcção àquela baqueta e, de repente, o gajo abre os olhos, esbugalhados, cruza-os com os meus durante uns décimos de segundo, agarra no tambor, levanta-se e continua a fazer o que tem de ser feito, bater, bater e nada mais a fazer...Apanhei um susto do caraças, mas a festa continuou.
Depois de La Guardia, esperava-nos a abertura de Paredes de Coura...

sexta-feira, maio 11, 2007

E se ela se chamasse “Madalena”?


Tem sido a notícia do momento na comunicação social portuguesa. O desaparecimento da criança Inglesa Madeleine Beth Mccann.

Do que tenho reparado, tal destaque nos órgãos de comunicação portugueses não tem idêntica correspondência com as conversas comuns do dia-a-dia dos portugueses. Não que os portugueses, pelo menos aqueles com quem convivo, não estejam sensíveis ao assunto. Mas, para o ‘bombardeio” diário, e horário, com que temos sido brindados, julgo que tem sido uma atenção comedida aquela que os meus concidadãos têm dado a este caso.

De facto, julgo que tem havido algum exagero na cobertura da comunicação social portuguesa, talvez atiçada pela habitual dedicação que a sua congénere do Reino Unido tem por casos destes.

Quem me merece todos os elogios é a Policia Judiciária Portuguesa, pela forma como tem lidado com toda esta situação.

No entanto, o mesmo empenho e dedicação agora demonstrados, não se verificou de todo em outros casos.

Como seria o trabalho e atenção dada pela nossa polícia, e nossa comunicação social, se a menina se chamasse Madalena?

Talvez o mesmo que foi, ou tem sido, dado quando a menina se chama Sofia, ou Inês, ou Ana, ou até o menino, que já é um homem, Rui Pedro.

terça-feira, maio 08, 2007

Tenha uma noite faaannntástica!

1100 gotas de suor. 11 graus de calor, não vou a lado nenhum sem o meu cobertor.

Telma - Incomodas-te se te fizer uma pergunta pessoal?
Eu - Não.
Telma - Como te sentes?
Eu - Também não me vou incomodar a responder-te.
Mas o cobertor tem um mau cheiro, fruto dos dilúvios sudoríferos. Com a máscara é a mesma merda.

Tudo o que está vivo e não é um animal é um vegetal. Nada me parece tão belo como uma palmeira, no entanto ganho a vida a plantar cogumelos venenosos. Telma detestava o que eu fazia: "Nunca ganharás a vida a plantar cogumelos venenosos" dizia ela. "Pelo contrário", respondi eu certo dia, "pois se o meu dom é cultivar cogumelos venenosos...". E então ela atirou-me com a torradeira à cabeça.

Um dia destes vou levantar-me cedo para ver o sol a nascer. Só que o sol não nasce, a Terra é que gira... .... ....

Um dia destes vou levantar-me cedo para ver a Terra a girar.

Telma - Seria tão romântico se me oferecesses uma rosa...(suspiro) ou um cravo..., ou até um dente-de leão...

Eu - E que tal uma urtiga?

Telma - ACEITAVA-A!

É fazer, estar, ter, ser, conhecer, compartilhar,... gostar, com a alma leve e sem peso na consciência. O que é?
Deitei-me a seu lado, beijei-lhe a nuca...ela voltou-se e sussurrou: podes apagar a lua?...

Baltazar Gomes

quarta-feira, março 21, 2007

Para a Andreia...da Andreia. Não é Sanguessuga, mas Rocha.

E a noite finda…

Olho vagamente
As frinchas luminosas daquela janela,
De luz débil
Que da frieza da realidade me quer esconder.

Tento, a todo o custo,
Construir a imagem de uma noite
Que se estende lá fora
E que me isola no interior do meu ser.

Escuto atentamente
Os sons noctívagos desta cidade,
Que nunca dorme,
Mas que dormente assiste ao meu adormecer.

A luz alaranjada esmorece…
Os sons ténues embalaram os errantes nocturnos…
E nada mais noto na escuridão do meu quarto.

… súbita quietude… impavidez insólita…
e o desassossego do meu estar…
A noite dorme enfim e não eu…
Serei eu a Noite? Ou a Noite em mim pereceu?

Andreia Rocha.
21 de Fevereiro de 2007.
2h. 25min.



Nas horas altas
já vai a noite...,
minha fiel amiga,
vejo que exalas,
preciosa companheira,
o mistério capcioso
que escondias nas tuas falas.

Silêncio, toma-te agora
na alta hora
em que nada te sobeja,
sôfrega noite
de uma só estrela
fundida, que lampeja

Ocultaste-te astutamente
na tua irmã nuvem
que de cinzelada
já nada sente...
e não me olhas...
.... e eu contemplo-te

Escura e fria... fraterna
tento alcançar vãmente
toda essa alienação eterna
parece carecer de fugaz e terrena,
aquela a quem todos olvida,
a felicidade suprema..

Não a tenho
sou mortal efémera,
mas tal como tu te esquivas
de qualquer e terna
manifestação do mais nobre sentimento
procuro em ti, fiel companheira,
luz suprema
felicidade terrena
noites intermináveis
que nesta mortal arena...
domem leões indomáveis.

Andreia Rocha
16 de Outubro de 2006
2h.35m

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Sagan

Anda aí gente a tentar estabelecer contacto ou quê?
Isto afinal não é assim tão fácil...Às vezes sinto-me como a Ellie, a olhar para as estrelas, com auscultadores sobre os ouvidos, à espera...

Já agora, será que apenas eu e a Luísa temos a pica para procurar nas nossas entranhas pontos de vista sobre o que quer que seja?? Ou o pessoal é demasiado conformista ou então há muita preguiça de teclar...Não basta dizer que vamos às urnas votar sim ou não, há que dar explicações, como é...!! Há mais comentários do que posts...

O mundo "evolui", como pessoas sociais temos cada vez menos tempo e estamos cada vez mais autómatos e estupifificados, mas essa "evolução" também nos deu esta ferramenta que estou a usar, a qual torna a comunicação(à distância) rápida e barata.

Quem me conhece sabe que sou ligeiramente anti-tech, porque esta coisa devia servir para melhorar a vida das pessoas e não escravizá-las. Por isso toca a exorcizar o demónio a partir do seu domínio..

p.s. por 1 rebuçado: és o gajo que me trancou na minha dispensa por causa de um bicicleta, não?? Bom, sem ressentimentos, abraços e beijos.

Pearl Jam 2006


Subscrevo(aprovo), mas não assino por baixo(é bom demais...)

Ouçam e leiam, e não se esqueçam que são mais de 15 anos a aperfeiçoar a obra...

E vemo-nos em Junho...






Life wasted

You're always saying that there's something wrong.
I'm starting to believe it's your plan all along.
Death came around, forced to hear its song
And know tomorrow can't be depended on
Seen the home inside your head.
All locked doors and unmade beds
Open sores unattended
Let me say just once that

I have faced it, a life wasted. I'm never going back again.
I escaped it, a life wasted. I'm never going back again.
Having tasted, a life wasted. I'm never going back again.

The world awaits just up the stairs
Leave the pain for someone else
Nothing back there for you to find
Or was it you you left behind?
You're always saying you're too weak to be strong.
You're harder on yourself than just about anyone
Why swim the channel just to get this far?
Halfway there, why would you turn around?
Darkness comes in waves...tell me, why invite it to stay?
You're one with negativity yes, comfort is an energy but why let the sad song play?? ???

I have faced it, a life wasted. I'm never going back again
Oh I escaped it, a life wasted. I'm never going back again
Having tasted, a life wasted. I'm never going back again
Oh I erased it, a life wasted. I'm never going back again




Unemployable

He's got a big gold ring which says Jesus Saves
And it's dented from the punch thrown at work that day
When he smashed the metal locker where he kept his things
After the big boss say "You best be on your way"

So this life is sacrifice
Oh yeah, jumping trains just to survive

Well his wife and kids asleep but he's still awake
And his brain weighs the curse of thirty bills unpaid
Gets up, lights a cigarette, he's grown to hate
Thinking if he can't sleep, how will he ever dream again?

So this life is sacrificed
Oh yeah, to a stranger's bottom line
Oh yeah I've seen the light, I'm scared alive
Nearly dead, I've seen the light, still alive
Yeah, so this life is sacrificed, oh yeah, was a dream that had to die, Oh yeah I've seen the light, I'm scared alive...........




Come back

If I keep holding out
Will the light shine through
Under this broken roof
Its only rain that I feel
I've been wishing out the days, come back

I have been planning out
All that I'd say to you
Since you slipped away
Know that I still remain true
I've been wishing out the days
Please say that if you hadn´t gone now, I wouldn´t have lost you another way
From wherever you are, come back
And these days they linger on
And in the night I´ve been waiting for
The real possibility that I may meet you in my dreams, I go to sleep
If I don´t fall apart
Will my memory stay clear
So you had to go
And I had to remain here
But the strangest thing today
So far away and yet you feel so close
And Im not gonna question any other way
There must be an open door, for you .... To come back
And the days they linger on
And every night when I´m waiting for is
The real possibility that I may meet you in my dreams
Sometimes you're there and you're talking back to me
Come the morning I can swear that you're next to me, and its okay
Its ok...its ok I need you....come back, come back, I need you come back, come back
I need you, come back, come back..........




Inside Job

Underneath this smile lies everything
All my hopes and anger, pride and shame
I make myself a pact not to shut doors on the past, just for today.. I am free
I´ll not lose my faith, It's an inside job today, I know this one thing well…

I used to try and kill love, was the highest sin
Breathing insecurity out and in
Searching hope, I'm shown the way to run straight, pursuing the greater way for all human light.

How I choose to feel is how I am. How I choose to feel is how I am.
I will not lose my faith, It's an inside job today
Holding on, the light of night
On my knees to rise and fix my broken soul, again...

Let me run into the rain
To be a human light again
Let me run into the rain
To shine a human light today

Life comes from within your heart and desire
Life comes from within my heart and desire
Life comes from within your heart and desire

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Histórias de fim d´ano? Devem haver muitas.

Apesar de ter ocorrido na noite de 1 para 2 de Janeiro, o acontecimento que vos vou relatar não tem, para já, uma data. Ainda não regressei ao trabalho, a diferença entre o que fiz a 30 de Dez. ou 2 de Jan. não é muita... Ou então será um desafio à lógica que normalmente acompanha estas transições de calendário: muitos de nós passamos o 1º mês do ano novo a registar, nas datas, o ano anterior ao qual nos encontramos realmente. Só aos poucos vamos dizendo adeus a 2006. Neste caso o primeiro dia do ano deu-nos algo que recordar.

2007 na 33

Depois de longa noite de reveillon entre Avintes e Porto, o regresso a casa. Para descansar o corpo, a cabeça.
Por volta da 1.30 da matina de 2 de Jan. tou só no meu quarto, distraído ora com a T.V. ora com o P.C., à espera de um sono que havia sido baralhado e dado outra vez, só que agora eu não sabia quando...

Mais uma vez os animais encarregaram-se de dar o alerta. São os primeiros a pressentir o perigo e a dar sinais de instabilidade. Durante meia hora os cães da vizinhança ladraram, e, se eu já não tinha sono, aí desisti de tentar dormir...Mas não saí do meu lugar. Na casa da tia Adelaide, sobre a nossa, começo a detectar barulhos, portas, armários a abrir, fechar, passos. Depois... a campaínha.
Accionada, já que não é mais do que um alarme, da forma que menos gostamos de a ouvir: a da urgência. Sabia que era a minha tia e esperava vê-la ao abrir a porta: Vi-a, sim, mas do outro lado da rua vejo também o Vítor Lancha, fotógrafo do jornal oficial do regime.

E passados alguns minutos vou vendo um pouco de todas as pessoas que moram na zona. Toca a tirar os carros, as pessoas que moravam na casa dos meus pais, na da tia, na do sr. Zé, na da D.Maria são aconselhadas pela polícia a abandoná-las, seguindo o exemplo dos moradores do prédio de três andares, três portas abaixo da nossa, que tinha o seu sótão a expelir fogo e a proporcionar uma pequena amostra do que vemos nas notícias de Verão.

A seguir aparece o Jorge carregando o filho, de 5 anos, ao colo: "Pedro deixa o Nuno ir para o teu quarto (ele raramente diz pra ou pro), ele tem medo de estar (tar...) aqui na rua..." Tinha que ser, é que a casa deles fica paredes meias com o prédio infernal. Exactamente com o 3º andar. Logo, se a cena desse pró torto, se o fogo "descesse" do sótão, a coisa ia aquecer um bocado.. O Nuno deitou-se na minha cama, lá sossegou.

Cá fora as pessoas olhavam para a forma meio atabalhoada como os bombeiros iam tentando controlar o fogo. Dois carros, um a disparar, de forma contínua, rajadas de água que sobrevoavam o prédio e iam atingir as casas das traseiras, criando uma espécie de efeiro arco-íris côr de água, uma auréola que tinha tanto de molhada como de ineficaz..pelo menos lavou alguns quintais. O outro carro fornecia as mangueiras manuseadas individualmente pelos bombeiros. Pairava uma aura de passividade, até à chegada do carro de Esmoriz, esse sim provido daquelas escadas com varanda que tanto jeito fazem...

Por volta das 4 da manhã estava tudo apagado. As pessoas voltavam para os seus covis, muitos de nós terão tido um dia seguinte para esquecer... Uma senhora idosa não dormiu na sua cama nessa noite - as velas que mantinha acesas no seu santuário de adoração religiosa provocaram o episódio narrado.

Medo? Durante 2 min. aquele sótão parecia uma frigideira com óleo a ferver e para a qual atiramos pedras de sal grosso...Não tentem isto em casa.

Bom ano

domingo, dezembro 17, 2006

Anões e laranjas

um homem está deitado na sua cama, num quarto sem porta...
ele espera, espera por uma presença, algo, qualquer coisa que entre...
depois de passar metade da sua vida procurando, aínda está vazio...
vazio como o tecto para o qual olha...
ele está vivo, mas não sente absolutamente nada, então será que está?

aos seis anos acreditava que a felicidade tinha forma terrena
aos onze tinha já decifrado a ilusão, trocando magia por factos
uma troca definitiva...

então é isto ser adulto
se ele soubesse agora o que sabia antes...

deitado de lado sobre lençóis amarrotados, e sem cobertores,
ele decide sonhar...
sonhar um novo eu...
para ele

Baltazar Gomes

v.o. eddie vedder

domingo, novembro 05, 2006

Olá!

Bom, parece que este delírio, este manifesto anti-agrafia que o Sérgio iniciou, começa agora a definir com mais clareza as estrelas que irão brilhar no seu Universo. Em relação á familia, aínda falta confirmação de alguns elementos. Outros provavelmente nunca abrirão as portas destes domínios, no entanto estão nos nossos pensamentos, e não nos podemos esquecer que existem impressoras para alguma coisa...Relativamente a quem não é da familia, penso que o acesso será bem acolhido.

Se isto tiver um bom ritmo, anseio ler todas as opiniões sobre eventos da actualidade, das nossas vidas privadas, sobre planos para o futuro...E essas opiniões virão, com certeza, sobre as mais diversas formas, uma história, desabafo, um sorriso, uma metáfora, um vai-te foder para qualquer situação ou personalidade que nos irrite...

...porque...não se iludam! Daqui a uns anos teremos matéria prima( e primos, eh eh) suficiente para fazer uma compilação dos nossos textos, o que dará origem a uma obra monumental de relatos, dramas, contos, poemas, alegrias...Vamos erguer um novo Necromonicon, um livro proibido, interdito a mentes vazias de sensibilidade e bom senso...Seremos perseguidos, alguns conseguirão fugir( irão refugiar-se em Albernoa, onde enlouquecerão ao fim de poucos meses), outros vão ser caçados, torurados com o visionamento de remakes da Floribela, alguns vão ceder, casar, constituir família. Os nossos espíritos vão-nos exigir sacrilégios catárticos, tremeremos, a hiper actividade das nossas glândulas sudoríferas assaltará a superfície enrugada dos nossos corpos sexagenários...

...mas tudo isto e muito mais ..

nós aguentamos, tem sido a história dos Jerónimo Sanguessugas há várias gerações...Um Jerónimo Sanguessuga é alguém que entra atrás de ti por uma porta giratória e consegue saír à tua frente...E, mais aínda, se um casal Guerra-Sanguessuga consegue gerar e criar um conjunto de mães tão maradas como as nossas( imaginem elas adolescentes a viverem juntas, eh eh ), então é porque a "força" é poderosa nesta família. Aqui fica uma lembrança para Emídio e Adelina, duas das pessoas para quem viver a pureza vida era aínda um conceito real e obrigatório.

vemo-nos...

quarta-feira, novembro 01, 2006

"Gorillas in the Mist"



Há dias estive a rever um filme engraçado, "Gorillas in the Mist", baseado no livro homónimo que narra as aventuras da Dian Fossey, uma americana que passou vários anos no Rwanda a viver no seio de uma comunidade de gorilas, afim de os estudar. Como seria de esperar, a afeição emotiva pelos animais foi crescendo (caso contrário não se fazia o filme), e a senhora tentou a todo o custo combater a caça furtiva, que na altura era negócio a florescer por aquelas bandas. Há sempre alguém disposto a pagar balúrdios por uma mão ou cabeça de um gorila para ornamentar a sala de estar. Um momento intenso no filme foi quando ela interceptou a transacção de um espécime jovem, pegando no gorilita ao colo e irrompendo por uma sala de jantar de gala armando escabeche e dizendo das boas ao ricaço que ia comprá-lo. Ele tinha uma licença do governo do Rwanda, a Dian foi obrigada a ceder o animal, mas ressalvou que 5(!) gorilas foram mortos ao tentar proteger aquela cria.

Quando a mãe gorila teve a cria deve ter pensado: que bom, este bébe é mesmo desejado, e toda a gente vai ajudar a criá-lo, a dar-lhe de comer e, se for preciso, a morrerem para o proteger. Numa sociedade assim não há razões para uma fêmea não poder ou não querer (mesmo assim...) ter bébés.

A dada altura na História da humanidade nós também éramos assim. Parecidos com os gorilas. Fomos evoluindo (it´s evolution baby!), mas a mulher permaneceu na mesma - bébés e tratar da casa. Séculos passaram, descobriu-se o fogo, inventou-se a imprensa, mulher na mesma - bébés e casa. Mais anos passaram, homem na lua, 3º milagre de Fátima revelado, Benfica outra vez campeão e...a mulher?? Bem, pode votar, ter emprego, saír à noite mas...se engravidar perde o emprego, não pode saír à noite, vota numa p...de uma lei que, dependendo dos casos, a deixa entre a espada e a parede e com poucas semanas para decidir algo que a vai afectar para toda a vida...e ainda pode ter o azar do marido lhe pôr os ...

Desde a concepção até ao momento em que o feto, embrião vê a luz do dia, percorrem-se 9 meses, e, provavelmente, podemos falar de uma vida humana. Será assim à luz da Biologia e da Ciência. Mas o mundo de hoje não deixa grande espaço de manobra para o ser humano enquanto animal biológico, instintivo, e, como os gorilas, afectivo. E, na minha opinião, ter um filho parece ser algo que abala (não necessariamente no sentido pejorativo), vários domínios da vida de uma pessoa, como o familiar, o conjugal, o social, o estado psíco-físico, o sexual, o profissional, o criminal...Denominador comum de todas estes factores? Madre. Ela é que se f...E quanto mais pobre...

Amiguinhos, nada de confusões: Se os homens pudessem engravidar, esta m...estava resolvida há muuuiito.....

sexta-feira, outubro 20, 2006

Utopia


"Oh, discípulos de Sócrates. Mostrem que de dentro desta força criativa brota a razão que pode transformar o mundo, pois o mundo é belo e puro. Imundo é a negação do mundo e dos homens da terra!"


Esta foi a mensagem escolhida pelo grupo de 5 estagiários da escola José Fragateiro (Ovar), para ser impressa em cada marcador de livros que foi oferecido a cerca de 100 professores desse estabelecimento, no âmbito das comemorações do dia do professor, no passado dia 5. Demasiado romântica? Sim. Utópica? Claro, estamos a falar de pessoas. Por muito bom trabalho que possa ser feito, ou por muito bom que qualquer sistema de ensino seja, existirão sempre forças omnipresentes que, de várias formas, vão minar tudo o que de belo e puro for perspectivado nos seus processos. A estas forças chamamos vida real.

O dinheiro gasto na compra das prendas rondou os 30 euros. À medida que os marcadores iam desaparecendo da caixa colocada na sala dos profs., a mesma ia-se enchendo de moedas, gentis retribuições dos destinatários. Parece que ultrapassou os 40 euros! Podemos então dizer que, com esta brincadeira do dia dos profs., foram transaccionados cerca de 70 euros.

Uma das primeiras histórinhas que me foi impingida nos primeiros dias que cá passei, foi a de uma aluna nossa que, tendo um grave problema de visão, continua a usar um par de óculos que pouco ou nada adianta. Reza a lenda que a mãe não tem meios financeiros para o upgrade, no entanto aparentemente a miúda não perde um Carnaval e apresenta-se sempre vestida a rigor (no desfile). Reza também a lenda que os professores da escola estão a reunir esforços para ajudar. Acho que sim, afinal a miúda quer ver, ao contrário de alguns colegas, igualmente cegos, que se "esquecem" dos outros olhos por recearem o look á nerd. Eu também era como eles.

Eu penso que para ela o mundo seria mais belo se ela pudesse vê-lo em condições, no entanto ninguém (mea culpa) reparou que, nesta última semana, o seu problema poderia ter sido resolvido, com um pouco mais de ajuda...

Já trabalhei em locais como fábricas, hipermercados, centros comerciais e até (este foi o mais gratificante) como vendedor de porta em porta. Pelo menos o meu papel era claro: Tinha que produzir, vender, repôr, limpar, convencer, atender. Não havia muita ambiguidade. Nalguns tinha que ser inventivo, criativo, desinibido, para conseguir atingir objectivos. Noutros tinha que seguir á risca um procedimento repetitivo, como numa linha de montagem, onde a minha intervenção está já definida e programada. Nunca pensei (por acaso já) que ser professor se assemelhasse a esta última. Para já é este o peixe que me querem vender.

To be continued...

Ponto de Ordem

*cartoon de Angeli
Razões da criação de mais um blog, na imensidão de ‘lugares’ do género nesse espaço gigantesco que é a Internet?
OK! A culpa foi minha! “Que maçada!”, dirão, ou disseram, alguns dos actuais e, espero, futuros membros do Blog quando lhes propus tal cargo, o de membro. Pois…

Bem, e começando pela palavra ‘membro’, do latim membru, ela vem descrita no dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora da seguinte forma:

Membro, substantivo masculino

1) Apêndice do corpo do homem e dos outros animais, destinado à locomoção ou à preensão;
2) ANATOMIA cada um dos quatro apêndices do tronco, ligados a ele por meio de articulações, sendo dois superiores e dois inferiores, e que realizam movimentos diversos, entre os quais a locomoção;
3) Indivíduo que faz parte de uma colectividade;
4) Parte de uma frase ou período com sentido parcial;
5) Popular pénis;
6) MATEMÁTICA cada uma das duas partes de uma equação ou inequação, separadas pelo sinal de igualdade ou pelo sinal de desigualdade;
7) Cada uma das partes de uma construção.

(esta coisa rebuscada de pegar no dicionário foi só para o style)

Bom, prosseguindo, o que eu quero dizer é que os membros deste Blog mais não são do que familiares, no caso, primos. O nome do Blog não tem nada a ver com o a corrupção no Brasil, onde todos os dias se podem ler nos jornais notícias sobre o caso dos “sanguessugas”. Os “sanguessugas” do Brasil são, pasmem-se, políticos, deputados da nação que, pelos vistos se tentaram pela corrupção. E parece que não escapa um deputado… Lá, são todos membros.

Os Sanguessugas deste Blog são-o de nome. Nome de Família!

Voltando ao Blog, e á razão de ele existir.

A minha brilhante ideia, teve origem nas espontâneas dissertações do meu irmão que, através de e-mails enviados a um círculo restrito de amigos e familiares, vai contando peripécias do seu dia-a-dia de uma forma, na minha humilde opinião, cativante e de muita qualidade literária.

Assim, através do blog, as suas dissertações continuam disponíveis a esse círculo de uma forma mais organizada e agradável, permitindo o comentário, a troca de ideias e opiniões. Os convites aos actuais membros foram formulados por mim e os critérios basearam-se na reconhecida qualidade literária dos mesmos, para além do humor apuradíssimo. Espero poder ter mais uma prova do que digo, ao deliciar-me com os posts deles.

Eu ficarei a observar. Sim, sou membro mas por auto-cunha. Não me reconheço qualidade nenhuma literária, como ficou aqui mais do que provado!

BORA LÁ POSTAR, CARAGO!! (que tal esta qualidade literária?)

segunda-feira, outubro 09, 2006

Viagens - Parte II

*Parque de Campismo de Sta. Tecla - La Guardia

O parque de campismo era pequeno, um quadrado de árvores com vegetação densa, e com uma via de cintura interna de cimento, em forma de U, que passava por todos os pontos de interesse possíveis, os quais não eram muito abundantes (repito que não frequento muitos parques, daí esta observação banal).

Já todos reunidos, e com a tralha montada e arrumada, decidimos ir relaxar para algum sítio, visto que pelo menos o Domingos, o Filipe e o Valter estavam fartos de conduzir, a Ana atarefada com o Pedrinho bem desperto…fomos para a praia, que era já ali ao lado. Cerveja já tínhamos, e, depois de alguma contemplação, conversa e mergulhos, foi-nos emprestada um bola de voleibol, e, pasmem, havia um rede montadinha à nossa beira. Showtime!!

Splash!

Mas antes do jogo pode-se dizer que o grande momento pertenceu á Irena. Quero ressalvar que toda a caracterização psicológica e interpretação de comportamentos que eu faça daqui para a frente, assim como atrás, deve ser encarada como partindo de um ponto de vista muito particular – o meu, assim como inserida num contexto único e meramente circunstancial. Por isso, ao dizer que a Irena foi uma companheira reservada e mesmo tímida, não quero presumir que ela seja mesmo assim. Só que ela não falava a nossa língua, e, mesmo quando tentávamos ter uma conversa em inglês, o campo cénico da reserva da dama mantinha-se. Mas posso dizer que ela é grande nadadora. Eu já tinha reparado no seu corpo atlético, principalmente nos ombros erectos (!?), imagem de marca de nadadores, e nem dei conta quando ela entrou na água. Acontece que ela entra e começa a nadar, e a nadar, e a nadar…e o vigia começa a gritar, a gritar e a gesticular, dizendo-lhe que não se pode ir para tão longe. Estava bandeira amarela…Isso não se faz. Ela parecia a Franzisca van Almsick, dos tempos áureos, antes de se enrolar com o treinador…Mas a Irena ainda tinha outra surpresa, que nos mostrou logo que regressámos ao parque. Estávamos no bar, o Domingos a dedilhar umas notas na sua velha viola, e…eis que ela nos brinda com os dotes de, não só de razoável guitarrista (nada muito melhor), mas também a cantarolar, no seu jeito tímido, umas duas ou três músicas lá da terra. Foi fixe, o sol estava quase a desaparecer, assim como o líquido dos copos…e a sereia checa tinha já deixado a sua marca.

Fade to Black (take the skinheads bowling…)

Aproximava-se a hora do jantar, e confesso que não me lembro de muita coisa do resto da noite. Bom, sei que antes aconteceu algo um pouco ridículo, andámos todos à procura de um miúdo mulato de 7 anos, que era nosso vizinho de tenda, e que estava acompanhado pelos pais adoptivos, um casal espanhol. Quem lançou o alerta foi a mãe, mas caramba, o pai também não estava lá…Por isso acabámos por encontrá-los num verdadeiro momento pai – filho... Falha de comunicação entre o casal?

Camarões grelhados! Valter desculpa, já não me lembro do que fizeste (foi arroz, como sempre, no entanto não me recordo de quê) mas aqueles camarões…Obrigado Domingos. Foi com casca e tudo!

Pratinhos e copos de plástico, guardanapos de papel, sentados no chão ou recostados a uma árvore, e o cheiro…o cheiro a cozinhados diluído no aroma das pinhas. Era idílico. Mas dar de comer ao Pedro pode, sob certos aspectos, ser considerado como um anti-climax desses momentos. Bom, talvez não, porque o puto comia antes de nós, mas, o drama, o horror que nos espera quando a criança tem que comer a sopa e simplesmente não quer e cospe tudo e f***tudo o que possa deitar a mão a. Eu já tinha observado este fenómeno natural no filho do meu vizinho. Testemunhei momentos verdadeiramente tétricos que me fizeram agradecer nunca ter tido o azar de, por exemplo, um preservativo rebentar ou outra coisa qualquer. Não duvido que quando (ou se) eu próprio for pai vou renascer, mas estes momentos fizeram-me também lembrar uma cena do filme “Three Kings”, onde um personagem está a ser torturado com uma caixa de cd enfiada na boca, com um dos cantos da caixa a tocar-lhe o fundo da garganta. O agressor despeja uma tina de petróleo (sim era no Iraque), o qual desliza pela superfície da caixa…Mas isto era propósito de quê?...

Bom, a seguir fomos á cidade. Não nos demorámos muito, mas o ambiente estava fixe. E é tudo o que me lembro. Ah, e o Tomás é bué de inteligente. O gajo já tá em Portugal há vários anos, mas, se não fosse o sotaque e o aspecto do leste europeu…Ele percebe tudo, os sarcasmos, as expressões metafóricas, as ironias, e o seu nível de proficiência é tal que ele próprio já produz expressões carregadas dessas mensagens subliminares, sempre engraçadas e dinamizadoras. E é muito sensato e equilibrado. É aquilo a que alguns americanos chamam de “even Steven”, o tipo de pessoa que encontra sempre um equilíbrio natural na sua vida, tipo, se deixar cair uma moeda de 2 euros por entre as grades de um esgoto, passado meia hora encontra outra no fundo da mochila. Tudo bem, vocês podem dizer que mesmo assim ele fica a perder 2 euros, porque a que estava no fundo da mochila já era dele, mas todos sabemos o sentimento de encontrar dinheiro nos bolsos quando tal não é esperado…


La Guardia

Na manhã seguinte, zarpámos para La Guardia, Galiza, Espanha. Mal saímos do barco, já dentro dos carros, o Filipe foi pra um lado, o Domingos foi para outro, e eu e o Válter pensámos: bem, o Domingos pára já, mas o Filipe só dá pela nossa falta quando a estrada acabar e só tiver o mar pela frente…Por isso fomos atrás dele, na subida do monte de Sta Tecla , e parámos num café com uma vista linda para o oceano. O próprio café tinha uma fotografia gigante da vista aérea sobre a cidade, e espero sacá-la do google earth e anexá-la a estas linhas. Mais uma vez tratámos de montar tenda no parque, e, que diferença! Como pequenos pormenores de trato pessoal, aliados á existência de uma piscina, colocam este camping a léguas da tristeza do de Caminha (até rima!!). Em vez de árvores carregadas de ramos e folhas, arvores carecas, como se do outro lado do rio fosse Outono; em vez de um ridiculo U a percorrer o parque, uma planta a fazer lembrar Espinho, com pequenos quarteirões e ruazinhas paralelas. E em vez de sermos atendidos por uns saloios mal dispostos, encontramos uns miúdos sorridentes e dinâmicos que dizem servicios em vez de casa de banho…

La Guardia está lá, aguardem o resto da descrição...

Viagens - Parte I

* Caminha

“E então, o Simão sempre vai ser vendido ou quê?”

Num dia normal, esta frase seria lógicamente engavetada num contexto de conversa de café reles, de ambiente familiar saudosista do antigo regime ou ainda de uma qualquer prisão de segurança média ou máxima. Assim como o contexto, também é fácil estereotipar o tipo de pessoa que se interessaria, não pelo assunto futebol, mas por algo que tenha a ver com o Simão, e, consequentemente, com o Sport Lisboa e Benfica. Estaríamos então a falar de alguém como o bêbedo do tasco, o chefe de família, o chefe do tasco, ou um presidiário, entre outros e outras.

Mas estas palavras chegaram aos meus ouvidos vindo da boca e, numa homenagem ao Umberto Eco, do pensamento da criatura menos provável de proferir tal frase: O Castelão. Como alguém (chamado Guardizela) tão bem apontou, o futebol, para aquele gajo, é assunto tabu. Ao ouvi-lo (ao Castelão), não escondi a minha surpresa pelo súbito e escorregadio interesse por tal assunto, no entanto respondi como sabia, socorrendo-me, em parte, do que tinha lido e ouvido nos media: “pá acho que não, o Valência não lhe ofereceu o salário que ele queria e não sei quê e por isso deve ficar cá a meter nojo mais uns tempos. Mas penso que ele é tipo João V. Pinto, teve o trauma de uma má experiência no estrangeiro e agora tá todo borrado por sair.” Enfim, tentei dar uma resposta politicamente correcta. Mas não demorou muito até eu perceber que, naquele pequeno (não há nada maior) episódio, estávamos já na crista da onda que iria transportar-nos durante os próximos 4 dias e noites. Isto aconteceu por volta da hora do almoço e a alguns quilómetros da estação de serviço de Viana do Castelo, a terra da Nossa Senhora da Agonia. E a atitude do Castelão (sim, atitude!) transmitiu-me a sensação de que, como o F.Pessoa, iríamos ser tipo aspiradores, não de lixo inútil, mas um tipo de aspirador que aspira todas as sensações que a nossa constância perceptiva por vezes nos nega. O Valter (o Castelão) mostrou-se aberto a um assunto que não lhe interessava minimamente, e, como eu não percebo nada de optometria, lá quebrou uma fina camada de gelo que se forma naturalmente pela distância física e temporal a que as circunstâncias da vida nos condenam inevitavelmente. A partir dali estavam lançadas as amarras para qualquer tipo de conversa, por isso religião, sexualidade e processos de transmissão cromossomática eram assuntos correntes.

O próximo passo era encostar ás boxes na e.s. de V.castelo e esperar pelo Guardizela, o “driver” que transportava a surpresa da jornada: Ana, e, a surpresa do campeonato (mais para ela, creio), o seu rebento baptizado com o nome bíblico Pedro, a viver o segundo Verão da sua vida na nossa companhia.

Estação de Serviço de Viana

Estava quente…foi a primeira vez que abrimos a arca que continha as nossas provisões: pão, queijo, vinho, fiambre, leite, droga e ovos. O essencial para os banquetes dignos da vagabundagem que iríamos encetar a partir do momento em que saímos do Porto. Esta estação de serviço, igual a tantas outras, foi o cenário de, pelo menos, dois eventos dignos de registo: Enquanto esperávamos, o Valter aproveitou para ligar o seu portátil e esta seria, como era de esperar, a única vez que tal aconteceu; pouco depois apareceu a Ana, a quem já não punha a vista em cima há muito, muito tempo. Estava igual ao que era antes, sempre com um sorriso, mas notei que agora gosta mais dela própria – no bom sentido. Ainda bem. Ah, já me esquecia do Pedro! É um puto fixe, mas um bocado trombudo.

Marcha Turca

Mas tudo começou de manhã cedo. Já não me lembro bem do que fiz na noite anterior aos acontecimentos que atrás narrei, mas sei que dormi pouco, por isso devo ter andado pela zona...Deitei-me por volta das 6 e tinha que acordar ás 8.30. Cometi o erro clássico de pensar que ia consegui-lo na boa, depois de 2 horas e tal de sono, ainda para mais com aquela jarda em cima. Resultado: acordei abruptamente ao som da Marcha Turca. Este som, composto por Mozart, desencadeia em mim a reacção de pressionar uma tecla verde que faz parte do painel do meu humilde telemóvel: Era o Valter. Ele esperava-me, no seu veículo, em Campanhã, ás 10h, tal como tínhamos combinado. Saímos do Porto ao meio dia…

“Todos diferentes, todos iguais”

Ao chegarmos a Caminha, adoptámos a postura de campistas. Nada de ir ao primeiro tasco que encontrássemos, nem de ir para a esplanada mamar finos e ver gajas…Fomos direitinhos para o parque de campismo que fica na zona noroeste, coladinho ao Atlântico, assim como ao rio Minho. Tínhamos que salvaguardar o nosso território. Eu não estou habituado a frequentar Campings, por isso ainda hoje aprendo como funciona a mecânica deste tipo de férias. Há toda uma disciplina que assenta no trabalho corporativista dos participantes, desde a escolha de um bom spot até à confecção dos cozinhados, passando pelo montar das tendas. Mas isso era trabalho para o Valter e o Filipe. A Ana tinha que tomar conta do miúdo, e eu fiquei a fazer companhia à Ana, à entrada do camping. E foi neste local que recebemos o resto dos amiguinhos que nos iriam acompanhar: O timorense Domingos, O cabo – verdiano James, e os checos Irena e Tomás. A partir daqui estava formada a irmandade do farnel, e acho que demos conta do recado.

Agora, se me dão licença, vou fazer um intervalo para ir à capital de Marrocos ver os Pearl Jam, e, se tiver tempo, visitar sítios como o Bairro Alto ou o Castelo de S.Jorge…até já.