quinta-feira, abril 18, 2013
quinta-feira, fevereiro 28, 2013
terça-feira, janeiro 08, 2013
Gente fora do lugar
"Você é Engenheiro?", perguntou-me o vigilante do parque de estacionamento onde normalmente deixo o carro, junto da obra. Não foi difícil para ele acertar, estando eu com o capacete branco na mão, vindo da obra e dirigindo-me para o carro para ali aguardar pelo final da hora de almoço, na sombra e sentado.
"Conhece a empresa...?", atirou ele depois de eu lhe confirmar o óbvio.
"Não, não conheço. Na verdade, eu sou português e estou há pouco tempo no Brasil", respondi-lhe com aquele medo de que não me entendesse.
"É mesmo? Meus antepassados são de Portugal. De onde você é?". Expliquei-lhe que era de Espinho, uma pequena cidade próxima do Porto. "Ah! Porto. Minhas origens são de Coimbra. De vez em quando eu oiço fado. Fado, essa palavra que significa destino".
Alexandre é de estatura média e tem pele escurecida pelo sol e não deve ter mais de 40 anos. Os seus bisavós eram de Coimbra. Perguntei-lhe se ele os conheceu.
"Sim, foi até o meu bisavô quem me ensinou o que era o Fado", contou-me.
E continuou: "Eu gosto de saber a minha origem, de onde vim e quem sou. Por exemplo, a origem do meu nome. Alexandre significa 'defensor dos homens, ou da humanidade' e também 'líder de homens'".
Sem se deter, e sem que eu conseguisse que abrandasse, ele vai disparando: "fui assim desde pequeno, sempre querendo saber mais de tudo. Como era diferente, neste aspecto, de todos os da minha idade, eu era visto como um doido". E aproveita para me explicar a origem da palavra doido. "Na verdade, ela está associada à ingenuidade", começa por me dizer, para depois me revelar que a origem vem do nome de uma ave, a 'Dodó', natural das Ilhas Maurícias, ilhas onde os primeiros a chegar foram os portugueses. "Essas aves, como não estavam habituadas à presença de caçadores e predadores, eram facilmente aniquiladas. Por isso os portugueses sempre se referiam aos ingénuos e que parecem ser fora do normal, como sendo 'dodós', originando os 'doidos'".
"A vida foi-me levando...", disse-me ele.
Um professor, apercebendo-se da 'diferença' do Alexandre, resolve fazer-lhe um teste de QI. "Cento e quarenta e cinco, eu tive no teste", conta o meu homónimo (sim, eu também sou Alexandre, como ele, defensor da humanidade), "o normal seria ter 100". Depois, mais uma revelação: "desde pequeno que aprendi a falar russo", e fala um pouco para mim interrompendo para mais uma achega: "Sabia que o russo é muito semelhante ao português?", e disparou meia dúzia de palavras em português e a sua tradução em russo.
Convenceu-me. Aprendeu a língua com um músico russo seu vizinho e que lhe dava aulas de Violino. "Durante as aulas, o professor xingava-me em russo e eu queria entender o que ele dizia". Foi assim que ele aprendeu.
"Violino, Alexandre? Mas você tocou, ainda toca?", perguntei, sinceramente interessado.
"Agora toco violoncelo, gosto mais do som. Mas toco só de vez em quando. Quando tocava violino, e era mais jovem, cheguei a pedir um visto na embaixada da Rússia para ir estudar violino para o 'Pequeno Bolshoi' em Moscovo. Mas foi na altura dos momentos conturbados na Rússia, com o fim da Perestroika e do Gorbatchev".
"É...a vida foi-me levando...", repetiu.
Voltei para a obra, pensando na conversa, no que aprendi e do quanto deslocado me pareceu o Alexandre naquele lugar. Regressei mais tarde para retirar o carro. Fui ter com ele, fiz o pagamento e ele perguntou-me:
"Se eu lhe pedisse um Conselho, qual você daria?"
"Um conselho? Sobre que assunto?", respondi, perguntando.
"Com a sua experiência, da sua vida, e pelo que conheceu hoje de mim, me dê um conselho qualquer, um que ache apropriado", desafiou-me. Sim, senti a pergunta como um desafio. Aceitei-o:
"Alexandre, tente levar você a vida para que não seja sempre ela a lhe levar, para que você um dia se sinta no lugar que quer, que julga merecer e lhe faça sentido. Para que não seja sempre a vida a lhe levar", atirei com uma convicção que eu próprio estranhei, mas que senti ter sido do agrado e de ter estado à altura daquele que me desafiou.
Despediu-se de mim dizendo para eu ter paciência, "porque alguns brasileiros não têm uma boa imagem dos portugueses". "É uma questão de educação, e aqui falta muita!", rematou, sem me ouvir dizer que esse tipo de educação falta em todos os países, inclusive no meu.
É, existe gente fora do lugar. O Alexandre está, claramente, fora do lugar.
(História Real)
Texto e Foto: Sérgio Sanguessuga Rocha
domingo, julho 01, 2012
terça-feira, maio 29, 2012
quinta-feira, maio 17, 2012
segunda-feira, janeiro 10, 2011

Um Passo em Frente
Acordei esta manhã, a casa estava fria
O aquecedor estava avariado.
Fui ao pátio buscar o jornal do dia,
Mas o jornaleiro estava atrasado.
Duras lições aprendemos diariamente,
Mas não aprendemos, somos…
Uma triste história certamente.
Um passarinho poisa na varanda da cozinha,
Mas não quer cantar.
No jardim uma menina dança sozinha,
Mas o sol não quer brilhar.
Estou só esta noite num hotel
E tudo em que penso é…
Sou a mesma velha história, no mesmo velho papel.
Todas as noites é a mesma discussão,
Quem não tem, quem tem razão.
Outra luta e o espírito desespera,
Outra batalha na nossa pequena guerra.
Quando olho para mim não consigo ver,
O homem que eu queria ser.
Algures no percurso desviei-me demais,
Apanhado…
A dar um passo em frente e dois atrás.
Uma mulher no balcão pede uma bebida,
Eu capto o sinal que ela me enviou.
Humm… não parece muito divertida.
Eu, enfim, finjo que estou.
Esta noite sonhei que estavas nos meus braços,
A música era interminável,
Dançámos sob um céu que escurecia em tom lilás
Um passo em frente e dois atrás.
Puzzle
Para trás e para a frente, eu danço com o vento
A resolução escapa-se mais uma vez
Através dos meus dedos, de volta para o meu coração
Onde está fora do alcance e mergulhada na escuridão
Às vezes penso que estou cego
Ou posso apenas estar paralisado
Porque a história complica-se a cada dia que passa
E as peças do meu puzzle continuam a desintegrar-se
Mas eu sei, há uma imagem escondida
A indecisão obscura a minha visão
Ninguém ouve…
Porque estou algures entre
O meu amor e a minha agonia
Prostrado com a cara no chão
Os meus dedos enfiados nas orelhas para bloquear o som
Os meus olhos cerrados para evitar a visão
Antecipando o fim, desistindo da luta
Gotas de sim e não
Num oceano de talvez
Do fundo parece uma subida inclinada
Do topo parece mais uma queda anunciada
Mas eu sei, o equilíbrio está lá!
sábado, janeiro 08, 2011
Passou um mês desde que me ouvi falar…
Toda a vantagem que esta vida leva sobre mim…
E eu contra-ataco a minha mente!
Nunca me deixa estar em paz!
Eu tenho memórias, tenho merdas!
Tanta coisa que não está à vista…
Oh… eu, caminhei erguido, quando me seguraste naquela noite.
Todas as conchas vazias parecem ser tão fáceis de quebrar…
Há tantas questões, nem sei a quem as poderia perguntar…
Então vou ficando sozinho e espero pelo sonho…
E repousarei numa cama,
Todo triste, eu vi o inferno!
Se apenas por uma vez me pudesse sentir amado!
Caminhei erguido, quando me seguraste naquela noite.
Eu, caminhei erguido, quando me deste a mão naquela noite.
Oh… eu, caminhei erguido, quando me aconchegaste naquela noite e eu,
Os meus lábios tremem…
quarta-feira, outubro 20, 2010

Lista de Desejos
Quem dera que eu fosse uma bomba de neutrões, por uma vez pudesse explodir
Quem dera que eu fosse um sacrifício, mas de alguma forma sobrevivesse
Quem dera que eu fosse um ornamento sentimental que tu guardas carinhosamente
Na árvore de natal, quem dera que eu fosse a estrela que está no topo
Quem dera que eu fosse a prova, quem dera que eu fosse a razão
Para 50 milhões de mãos estarem erguidas e abertas em direcção ao céu
Quem dera que eu fosse um marinheiro com alguém esperando por mim
Quem dera que eu fosse tão sortudo, tão sortudo como eu
Quem dera que eu fosse um mensageiro e todas as notícias fossem boas
Quem dera que eu fosse a lua cheia reflectida nas águas do Areeinho
Quem dera que eu fosse um extraterrestre em casa por detrás do sol
Quem dera que eu fosse a lembrança onde pões a chave de casa
Quem dera que eu fosse o pedal do travão que te salva a vida
Quem dera que eu fosse o verbo confiar e nunca te deixar ficar mal
Quem dera que eu fosse uma canção na rádio, aquela que tu nunca mudas
Quem dera, quem dera, acho que nunca mais tem…
Fim

Desempregabilidade
Ele tem um grande anel dourado onde está escrito “Jesus salva”
E está amolgado por causa do murro dado no trabalho naquele dia
Quando ele rebentou o cacifo metálico onde guardava as suas coisas
Depois do patrão lhe ter dito “é melhor pores-te a andar”
Sim, então esta vida é sacrifício
Sim, fazer das tripas coração apenas para sobreviver

Bom, a sua mulher e filho dormem mas ele está acordado
No seu cérebro paira a maldição de 30 contas por pagar
Levanta-se, acende um cigarro, o ódio cresce nele
Pensando “se não consigo dormir, como vou voltar a sonhar?”
Sim, esta vida é sacrificada
Pelos desígnios de um qualquer estranho
Eu vi a luz
Eu estou assustado vivo
Aqui para morrer
Vivo assustado
terça-feira, setembro 15, 2009
Lift me Up Moby Live @ Porto
Fantástico o concerto que Moby deu no Parque da Cidade do Porto no passado sábado, dia 12 de Setembro de 2009.
Em boa hora me decidi a marcar presença. No inicio do tema, Moby pede desculpa pelos 8 anos de governação de Bush que colocou o mundo contra os USA.
Espero que perdoem o ruído...é que pular e filmar ao mesmo tempo não dá mesmo bom resultado.
segunda-feira, agosto 31, 2009
Música de Moçambique (2)
País do Marrabenta, dança e género músical tradicional de Moçambique e que se pode ver nas discos e bares de Maputo.
"Dança Moçambicana Marrabenta"
Música de Moçambique (1):
Vou colocar aqui alguns temas da música que se faz em Moçambique... Começo com um rap de Gprofam, que revela um pouco das imagens e da realidade do país onde nasci.
Autor: Gprofam
Título: País da Marrabenta
domingo, abril 05, 2009
Deloused in the Comatorium 3 - Roulette Dares (This is the Haunt of)
3 - Roulette Dares (This is the Haunt of)
Transient jet lag ecto mimed bison
This is the haunt of roulette dares
Ruse of metacarpi
Caveat emptor... to all that enter here
Open wrist talks back again
In the wounded of its skin
They'll pinprick the witness
In ritual contrition
The a.m. trinity fell upon asphyxia-derailed
In the rattles of...
Made its way through the tracks
Of a snail slouching whisper
A half mast commute through umbilical blisters
Spectre will lurk
Radar has gathered
Midnight nooses from boxcar cadavers
Exoskeletal junction at the railroad delayed
Exoskeletal junction at the railroad delayed
It's because this is...
Cranial bleeding
Leeches train the living
Cursed are they who speak its name
Ruse of metacarpi
Caveat emptor to all that enter here
Exoskeletal junction at the railroad delayed
Exoskeletal junction at the railroad delayed
It's because this is
Rattling the laughter
Hinges splintering inside
Bludgeoned to a saddle
Rang the cloister bell inside
inside
inside
exoskeletal junction at the railroad delayed
exoskeletal junction at the railroad delayed
it's because this is...
Agora os obstáculos, definhando em tamanho e forma. Pareciam atirar-se ao seu corpo, inseminando uma desorientação passivo - agressiva que iluminava o seu cabelo a partir da raiz enterrada. Mala suerte que o reduziu a um estado de beligerância incoerente. A fim de não se adicionarem aos demónios que percorriam os canais do seu nervo óptico, as pessoas mudavam de passeio quando o viam hipnotizado. A sua língua tornara-se um cacho de dobradiças incapaz de terminar frases. No entanto, podíamos ouvi-lo cantar no seu sono, “con cada cuerpo que estranes mas, este varco se olvido como a nadar”. Ele havia sido salvo noutras ocasiões, mas esta iria arrasar a edificação que tinha construído a partir do seu interior. Inconvencional e inegável. Um megafone Trémulo chama…
Muitas eras se sucederam até que a assembleia do Metacarpo Trémulo decidisse eleger um novo líder, e quem melhor do que o acima mencionado neo infiel conhecido por Cerpin Taxt, provavelmente a mais solitária caricatura de homem que nós, os Trémulos, alguma vez vimos. Através de uma febre imensa, escolhemos os excertos irradiados da biblioteca das meias verdades. Um livro de impacto suspenso. Um manual que ensinava sedução através da arte do suicídio. Um vazio de ultimatos crassos, sem capítulos, adoptando arbitrariamente a colheita de sangue das conversões humanas. Cada página enrolava-se à volta de Cerpin, penetrando-o, violando-o…Pois foi pela sua mão que fomos condenados a viver congelados em imagens doentes num papel cor de osso; Pelo ritual artístico que lhe gerou os seus únicos filhos. No entanto este trapeiro nada sabia dos seus descendentes, aqueles que havia abandonado numa constipação sub – aquática. Portanto tudo começou com um duro carinho de amor vindo da Nevralgia de Cerpin, que o convocou através de um mandato de captura escarrapachado na tela da sua face…de modo a administrar-lhe um despacho de admissão temperado com morfina. Os portões de Thanos estavam agora abertos, como as asas de uma águia em voo picado.
Eu pintei o meu corpo com o negro das minhas próprias cinzas. Não vejo o interruptor quando as luzes são desligadas, desde os seus canais de cortes no pulso. Não sinto o meu caminho para lá do óbvio…há que tratar bem o pescoço…adorná-lo com uma perfuração…Eles imaginaram-me espancado e desfigurado, estendido numa passadeira de prazos esgotados. Eles chamam-me:
“Tu foste trazido até aqui pelas tuas próprias artimanhas. Aí permaneces ensopado em culpa, uma sentença que não podes negar. No mundo exterior encontrarás um destino bipolar. Aqui serás banido pelo crime de tentativa. Embarca neste veículo oculto, serás levado a fim de servires a tua pena”, falou a suave voz infantil, o estratega deste purgatório. Os eternos leprosos cantavam num ritual de auto martírio, acompanhados pelo fender de velas de vidro: “Os túneis vão-te mostrar um percurso de fuga arrependida”, choravam, “no qual atingirás um tal medo que reflecte uma visão que está mais próxima do que aquilo que parece”, continuavam os leprosos, “no teu sono encontrarás a derradeira mentira…a insignificância de outros…”
E esta era a sua sentença. Uma receita não preenchida foi deixada na minha mão. Afinal o que é que eu tinha feito? Não me conseguia lembrar. Para onde ia? Os leprosos haviam falado e por toda a assembleia os olhares condenavam-me. Eles prepararam o veículo no qual eu iria viajar. Encheram-no de amebas que iriam activar o sistema de piloto automático, prenderam-me um cinto de aracnídeos que formigavam o meu rosto e penetravam na minha boca. Assim que as aranhas amarraram o meu corpo comecei a sentir o sangue dos meus olhos. Senti o meu equilíbrio trocar de lugar com os meus pulmões. Os meus pés tornaram-se chão, as minhas costas romperam-se em lábios de latitude, batendo asas que dariam início ao processo efémero de me converter numa larva em hibernação impelida a jacto. Eu torci-me, vomitando uma sensação de rigidez cadavérica, e depois aconteceu. Uma torrente de lama espessa e florescente disparou com toda a força e afundou-me através da dimensão do espaço e do tempo. Os leprosos haviam sido bem sucedidos na sua tarefa de castigar as minhas acções de instabilidade. As suas canções de excomunhão chegavam até mim através de uma sonda de infravermelhos. Atirado para o pesadelo dentro do meu cérebro impuro. Foi a tentativa que caiu vitima destas algemas neste voo infinito. “Impeso en la sala de tivrones, un pais escrito com el noche”. A minha primeira tentativa vai-me inutilizar e deixar-me às portas da atrofia, estas son las viages antes que me fui…” – Cerpin Taxt
de loused in the comatorium storybook 2ª parte
Deloused in the Comatorium 1 - Son et Lumiere ; 2 - Inertiatic ESP
1 - Son et Lumiere
Clipside of the pinkeye flight
I'm not the percent you think survives
I need sanctuary in the pages of this book
Gestating with all the other rats
Nurse said that my skin will need a graft
I am of pockmarked shapes
The vermin you need to loathe
2 - Inertiatic ESP (inc.)
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.
Last night I heard lepers,
Flinch like birth defects,
It's musk was fecal in origin,
As the words dribbled off of its chin,
It said,
I'm lost,
I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.
Dolls wreck the minced meat of pupils,
Cast in oblong arms length,
The hooks had been picking their scabs,
Where wolves hide in the company of men.
It said,
I'm lost,
I'm lost.
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.
Are you peeking in the red?
Perforated at the neck,
What of this mongrel architect,
A broken arm of soon will set,
Past present and future tense,
Clipside of the pinkeye fountain.
What of this mongrel architect,
A broken arm of soon will set,
Past present and future tense,
Clipside of the pinkeye fountain.
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost,
Now I'm lost.
It's been said,
Long time ago,
You'll be the first and last to know,
You'll never know,
You'll never know,
You'll never...
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Elderly Man Behind The Wheel In A Big Truck
Aconteceu!...30 e tal anos depois de certa família ter feito o check-in no nº 845 da rua 33 em Espinho, aconteceu.
O caminho foi longo e sinuoso, as estradas foram os albergues dos sonhos, das desilusões, das fantasias...as estações de serviço foram meros oásis num deserto de emaranhados de asfalto.
Mas no dia 6 de Janeiro de 2009,eu acabadinho de chegar à citada morada, Lette recebe um telefonema estranho: "estou na Rechousa. Venham-me buscar, não sei ir aí ter". Rechousa, ah...as recordações. Foi um local cujos mistérios se desvendaram aquando da minha passagem, nos meus tempos áureos como colaborador da Sonae.
Tornei-me, para variar, útil e disse: "Eu vou buscá-lo".
E fui. Resgatei um pária, uma espécie de "candle in the wind", um cigano pálido cuja casa é a estrada, cujo Renault Trafic é uma baleia de 16 rodas, sempre sujeita ao incómodo do estacionamento, da manobra, dos impropérios proferidos pelos acomodados da era cavaquista, um carro por cidadão...
Em Espinho, antes de ir à consagrada morada, pausa para uma cerveja, enquanto se espera pelo pito assado. Aquele líquido dourado acompanhará para sempre os momentos de amizade, a melhor publicidade...Depois, a irmã, o cunhado, o frango...Obviamente, havia assuntos familiares que não podiam deixar de ser abordados. Alguns pertinentes e urgentes, outros apenas são pensados nestes encontros. É o que vale, apenas são recordados nas visitas. Durante o resto do ano são inconsciente e convenientemente ignorados. Digo eu, e eu digo muitas asneiras.
Ainda faltava visitar o sobrinho mais velho, herdeiro da bicicleta perdida nas areias de Espinho, por um progenitor "oblivious". Do frio para o quentinho, ele lá falou, falou...Por momentos teletranportei-me para a quimera de uma boleia de milhares de quilómetros sem destino, até os joelhos atrofiarem e eu finalmente sair...Até ficávamos por lá, mas o dia começava cedo para todos.
Viagem final, pelo frio da noite, até ao paquiderme de 16 rodas, onde finalmente apartariamos os nossos destinos. Deixei-o lá, na cabine que fazia lembrar uma qualquer sala de estar de média burguesia, na qual ele aprestou-se para ser engavetado e dormir um sono conquistador...ali, na Rechousa. Sítio, entre muitos por onde andas,(e neste momento Sines é certamente um deles), do mais merdoso que existe. Não te esqueças de aparecer mais vezes!
terça-feira, outubro 14, 2008





